Ao penetrar no mundo do conhecimento científico como algo apenas reservado aos ateus ou agnósticos, principalmente nos seus níveis mais avançados de pesquisa, descobri que tal pressuposição é um mero equívoco e pode ser considerada inverossímel. Ao longo de meus estudos de filosofia e história da ciência, descobri o testemunho vivo de inúmeros cientistas do passado que professavam fé em Deus, como Newton e Cantor, e muitos outros contemporâneos como Vern Poythress, meu amigo aqui nos Estados Unidos, doutor em matemática pela Universidade de Harvard, para não ser exaustivo. O fazer científico, as mais das vezes, pode ser construído tranquilamente num ambiente de neutralidade, em vez de ser ligado umbilicalmente ao ateísmo ou agnosticismo de modo obrigatório e forçoso ou a qualquer tipo de teísmo ou crença religiosa.
Cientistas crentes em Deus, como Georg Cantor e Isaac Newton, avançaram muito em suas pesquisas sem perder a fé. Para Cantor, Deus iluminou sua mente e lhe revelou a Aritmética Transfinita. Segundo ele, o fundamento para a existência dos transfinitos era Deus, o Infinito Absoluto. Qual o estudante de matemática hoje que despreza a Teoria dos Conjuntos ou a Aritmética Transfinita só porque foram desenvolvidas por um matemático crente em Deus? Quais os físicos contemporâneos que não estudam as Leis de Newton e todas as suas contribuições na Física alegando que ele era crente e o produto de suas descobertas era de segunda categoria? Outros cientistas, agnósticos ou ateus, também avançaram em suas pesquisas e deram suas contribuições para o avanço da ciência. Algum estudante crente irá desprezar todo esse legado por conta do agnosticismo ou ateísmo desses cientistas? Podemos classificá-los de superiores ou inferiores por conta da aceitação ou não dos axiomas da existência ou inexistência de Deus? Crentes e ateus podem trabalhar amigavelmente no fazer científico, haja vista a compreensão de que, quando assumem axiomaticamente a existência ou inexistência de Deus, isto não afeta absolutamente seu labor científico.
Portanto, em Nerdilândia, procuramos admitir esta atmosfera neutra em que se pode falar de ciência sem que se caia obrigatoriamente no ateísmo ou na religião. Aqui também serão respeitados os cientistas que assumem os axiomas da religião. Note-se que isto é bem diferente de quando um matemático desenvolve seus estudos em geometria euclideana ou riemanniana. Nestes casos, o conjunto de pressupostos ou axiomas na base do arcabouço teórico faz enorme diferença nos resultados e na própria concepção de espaço, por exemplo, nessas duas geometrias. No caso em que se assume ou não os axiomas da existência ou inexistência de Deus, é indiferente para o avanço da ciência, a menos quando são feitas paralelamente considerações de cunho metafísico, filosófico ou religioso a partir do estabelecimento de um ou outro desses axiomas.
Cientistas crentes em Deus, como Georg Cantor e Isaac Newton, avançaram muito em suas pesquisas sem perder a fé. Para Cantor, Deus iluminou sua mente e lhe revelou a Aritmética Transfinita. Segundo ele, o fundamento para a existência dos transfinitos era Deus, o Infinito Absoluto. Qual o estudante de matemática hoje que despreza a Teoria dos Conjuntos ou a Aritmética Transfinita só porque foram desenvolvidas por um matemático crente em Deus? Quais os físicos contemporâneos que não estudam as Leis de Newton e todas as suas contribuições na Física alegando que ele era crente e o produto de suas descobertas era de segunda categoria? Outros cientistas, agnósticos ou ateus, também avançaram em suas pesquisas e deram suas contribuições para o avanço da ciência. Algum estudante crente irá desprezar todo esse legado por conta do agnosticismo ou ateísmo desses cientistas? Podemos classificá-los de superiores ou inferiores por conta da aceitação ou não dos axiomas da existência ou inexistência de Deus? Crentes e ateus podem trabalhar amigavelmente no fazer científico, haja vista a compreensão de que, quando assumem axiomaticamente a existência ou inexistência de Deus, isto não afeta absolutamente seu labor científico.
Portanto, em Nerdilândia, procuramos admitir esta atmosfera neutra em que se pode falar de ciência sem que se caia obrigatoriamente no ateísmo ou na religião. Aqui também serão respeitados os cientistas que assumem os axiomas da religião. Note-se que isto é bem diferente de quando um matemático desenvolve seus estudos em geometria euclideana ou riemanniana. Nestes casos, o conjunto de pressupostos ou axiomas na base do arcabouço teórico faz enorme diferença nos resultados e na própria concepção de espaço, por exemplo, nessas duas geometrias. No caso em que se assume ou não os axiomas da existência ou inexistência de Deus, é indiferente para o avanço da ciência, a menos quando são feitas paralelamente considerações de cunho metafísico, filosófico ou religioso a partir do estabelecimento de um ou outro desses axiomas.
Temos de reconhecer que, do mesmo modo que a ciência tem seus axiomas, assim também os tem a religião. Nosso desafio é provar se esses dois sistemas são ou não são necessariamente mutuamente exclusivos. Para a construção do arcabouço teórico da ciência, seja ela Matemática, Física ou Química, por exemplo, são aceitos pressupostos e a existência de várias entidades com seus valores epistêmicos do mesmo modo como os exigem os axiomas de construção da cosmovisão judaico-cristã.
O conhecimento matemático com suas entidades abstratas com valores epistêmicos específicos é a priori ou a posteriori, usando a terminologia kantiana? Existiria uma terceira margem do rio, como no conto de Guimarães Rosa, na qual poderíamos situar o conhecimento matemático? Se dissermos que é a posteriori, ele depende da experiência. Se dissermos que ele é a priori, ele prescinde da experiência por ser óbvio em si mesmo. As duas definições carregam consigo seus problemas intrínsecos. A primeira consiste de um argumento ontológico que é associado à doutrina da indispensabilidade das entidades matemáticas para as teorias científicas bem sucedidas. Em outras palavras, pressupõe-se que devemos apenas nos comprometer ou conferir direitos ontológicos àquelas entidades que são indispensáveis para a construção das teorias científicas bem sucedidas. Então, há a implicação de que somente as entidades matemáticas que podem ser justificadas de modo empírico, ou seja, a posteriori, devem ter direitos ontológicos. Admitir isto seria conferir o mesmo estatuto epistêmico ao conhecimento científico e ao conhecimento matemático, de modo a podermos pressupor uma passagem fácil do domínio ontológico para o domínio epistêmico. Entretanto, seria isto verdade inquestionável e indisputável?
A segunda consiste num argumento que atribui valor epistêmico diferente ao conhecimento matemático, de que ele é a priori, prescindindo da experiência. Assim, qualquer matemático que teve uma pequena iniciação na filosofia matemática saberá que os objetos matemáticos são produtos de reflexões conceituais independentes de experiência, como ponto, reta, quadrado, operador ou número, todos têm valor epistêmico a priori. Por conseguinte, como poderemos atribuir estatutos epistêmicos diferentes ao conhecimento matemático e ao conhecimento científico sem contradição? Fica aqui o convite para que você navegue seu barco contra a correnteza na busca de uma terceira margem do rio, se é que isto é possível. Este é um assunto sobre o qual discorreremos em outra postagem específica.
O conhecimento matemático com suas entidades abstratas com valores epistêmicos específicos é a priori ou a posteriori, usando a terminologia kantiana? Existiria uma terceira margem do rio, como no conto de Guimarães Rosa, na qual poderíamos situar o conhecimento matemático? Se dissermos que é a posteriori, ele depende da experiência. Se dissermos que ele é a priori, ele prescinde da experiência por ser óbvio em si mesmo. As duas definições carregam consigo seus problemas intrínsecos. A primeira consiste de um argumento ontológico que é associado à doutrina da indispensabilidade das entidades matemáticas para as teorias científicas bem sucedidas. Em outras palavras, pressupõe-se que devemos apenas nos comprometer ou conferir direitos ontológicos àquelas entidades que são indispensáveis para a construção das teorias científicas bem sucedidas. Então, há a implicação de que somente as entidades matemáticas que podem ser justificadas de modo empírico, ou seja, a posteriori, devem ter direitos ontológicos. Admitir isto seria conferir o mesmo estatuto epistêmico ao conhecimento científico e ao conhecimento matemático, de modo a podermos pressupor uma passagem fácil do domínio ontológico para o domínio epistêmico. Entretanto, seria isto verdade inquestionável e indisputável?
A segunda consiste num argumento que atribui valor epistêmico diferente ao conhecimento matemático, de que ele é a priori, prescindindo da experiência. Assim, qualquer matemático que teve uma pequena iniciação na filosofia matemática saberá que os objetos matemáticos são produtos de reflexões conceituais independentes de experiência, como ponto, reta, quadrado, operador ou número, todos têm valor epistêmico a priori. Por conseguinte, como poderemos atribuir estatutos epistêmicos diferentes ao conhecimento matemático e ao conhecimento científico sem contradição? Fica aqui o convite para que você navegue seu barco contra a correnteza na busca de uma terceira margem do rio, se é que isto é possível. Este é um assunto sobre o qual discorreremos em outra postagem específica.
A Nerdilândia, ao que parece, será um espaço bom para quem aprecia Matemática, Física e Química sem ter de assumir forçosamente qualquer pressuposto do ateísmo ou da religião. O fazer-científico, as mais das vezes, deve ser construído num ambiente de neutralidade em vez de ser ligado umbilicalmente ao ateísmo ou à religião. A postura do ateísmo, surpreendentemente, exige muitas vezes mais fé do que o que seria suficiente para sustentar a tese pressuposicionalista da compatibilidade entre a cosmovisão judaico-cristã com a ciência. Como os matemáticos estão até hoje com fé na verdade da Hipótese do Contínuo e na Conjectura de Goldbach! Do mesmo modo como os matemáticos aceitam suas entidades abstratas sem a menor dificuldade, sejam elas quais forem, quer se tratem de definições, axiomas, lemas, teoremas ou corolários, nenhum deles sintetizados em laboratório, mas apenas como construção produto de reflexão conceitual, assim também os religiosos tem seus axiomas, seus lemas, seus teoremas e corolários construídos num domínio ontológico não muito diferente dos das entidades matemáticas. Tanto cientistas como teólogos tem seus dilemas, com os quais convivem tranquilamente.
Assim, eu o convido a visitar a Nerdilândia periodicamente e deliciar-se com um modo muito interessante de fazer ciência. Paralelamente ao desenvolvimento da habilidade de resolver problemas, também serão compartilhados muitos aspectos fundacionais para a construção de uma sólida visão de filosofia e história da ciência, centrada em Thomas Khun, como também uma ampla e revolucionária proposta de filosofia da educação, infinitamente distante de Paulo Freire e mais próxima de Olavo de Carvalho e Mahatma Gandhi. Então, por certo Harvard-MIT e IIT estarão em alta na Nerdilândia, como também Putnam.
Compartilhe, reflita e descubra o lado nerd que há em você. Siga a trajetória do Prof. EuGênio Nerd!
Será que a análise filosófica da ciência e da matemática em particular pode produzir uma aproximação com a religião judaico-cristã, em vez de consubstanciar a negação de direitos ontológicos às entidades abstratas desta última in limine, sem examinar que tanto o conhecimento matemático puro quanto o conhecimento religioso judaico-cristão possuem valores epistêmicos iguais? Difícil de responder? Leia este artigo, pois a discussão do assunto da não exclusividade mútua do conhecimento científico e a redução dos direitos ontológicos às entidades que compõem o conhecimento religioso judaico-cristão estão em pauta. Quando o ateísmo ou o agnosticismo podem não ser uma postura científica única e exclusiva à luz da história das ciências? Ciência e fé são realmente mutuamente exclusivas? Boas perguntas. Leia, reflita e compartilhe.
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